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  • Subject area(s): Marketing
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  • Published on: 14th September 2019
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Aleitamento materno exclusivo (AME) é a prática de amamentação natural que produz vínculo e nutrição à criança sendo a maneira mais eficaz e econômica na intervenção da manutenção da saúde infantil  2. Traz vantagens como menor risco de infecções respiratórias e diarreia, evitando internações hospitalares e consequente morbi-mortalidade de crianças menores que dois anos, aumenta o vínculo afetivo mãe-bebê, diminui o risco de atopias, hipertensão, elevação de colesterol, diabetes e obesidade, além de ser economicamente viável.

Sabida a importância do aleitamento materno, faz-se necessário uma revisão histórica da saga da implantação de programas de estímulos nacionais e internacionais ao aleitamento materno. Pode-se assim, entender melhor o porquê do esforço em busca do aumento da taxa de adesão ao AME.

Antes do despertar para a atenção primária no Brasil, já existiam projetos de esforço mundial para a conscientização do AME desde 1991, uma união entre OMS e UNICEF, com a elaboração de um guia de boas práticas de aleitamento onde se encontram orientação e apoio de conselheiras; sistemas de informação em saúde durante pré-natal e parto, a exemplo de pessoal treinado para guiá-las nos meses seguintes; leis que protegem a amamentação no trabalho; estabelecimento de comitês nacionais de amamentação; planejamento e apoio em casos de desastres naturais e campos de refugiados; e incentivo fiscal à ambientes que incentivam o aleitamento materno e reflitam a cultura que é o melhor alimento para o bebê e que as mães sintam-se capazes de suprí- los .³.

Entre estes projetos existe a medida idealizada em 1990 pela OMS e pela UNICEF: a Iniciativa Hospital Amigo da Criança – IHAC – criada para promover, proteger e apoiar o aleitamento materno. O objetivo é mobilizar os funcionários dos estabelecimentos de saúde para que mudem condutas e rotinas responsáveis pelos elevados índices de desmame precoce. Para isso, foram estabelecidos os Dez Passos para o Sucesso do Aleitamento Materno, são eles 4:

1. Ter uma norma escrita sobre aleitamento materno, a qual deve ser rotineiramente transmitida a toda equipe de cuidados de saúde.

2. Treinar toda equipe de cuidados de saúde, capacitando-a para implementar esta norma.

3. Informar todas as grávidas atendidas sobre as vantagens e a prática da amamentação.

4. Ajudar as mães a iniciar a amamentação na primeira meia hora após o parto.

5. Mostrar às mães como amamentar e como manter a lactação, mesmo que tenham de ser separadas de seus filhos.

6. Não dar ao recém-nascido nenhum outro alimento ou bebida além do leite materno, a não ser que seja por indicação médica.

7. Praticar o alojamento conjunto - permitir que mães e os bebês permaneçam juntos 24 horas por dia.

8. Encorajar a amamentação sob livre demanda (sempre que o bebê quiser).

9. Não dar bicos artificiais ou chupetas a crianças amamentadas.

10. Encorajar a criação de grupos de apoio à amamentação, para onde as mães devem ser encaminhadas por ocasião da alta hospitalar.

O Brasil foi um dos 12 países escolhidos para dar partida à IHAC, e ao assinar, em 1990, a Declaração de Innocenti, em encontro em Spedale degli Innocenti, na Itália, o Brasil formalizou o compromisso de fazer dos Dez Passos uma realidade nos hospitais do País. Sendo que em março de 1992, o Ministério da Saúde e o Grupo de Defesa da Saúde da Criança, com o apoio do UNICEF e da OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde), deram os primeiros passos 5.

Após adoção destas medidas e entre outras, observou-se nos últimos anos no Brasil um aumento na aderência ao AME, sendo que hoje 41% das mães amamentam exclusivamente até os seis meses. Apesar de ainda ser uma taxa considerada longe do ideal, ela é o dobro da taxa registrada nos EUA, Reino Unido e China. Este avanço colaborou para a redução de mortalidade infantil, sendo que a mortalidade de crianças menores de cinco anos no Brasil caiu 80%, passando de 66 para 12,9 para cada mil nascidos vivos entre 1990 e 2014. Um dos principais responsáveis por essa queda é o aleitamento materno 6.

Como podemos observar, não só no Brasil, mas em vários países, inclusive em países desenvolvidos, temos uma baixa taxa de adesão ao AME. Visando resolver este problema a OMS estabeleceu como meta para o ano de 2025 aumentar para 50% a taxa de AME nos primeiros seis meses no mundo. Para isso, uma série de ações são recomendadas, entre elas: limitar o marketing de fórmulas artificiais; apoiar a licença maternidade remunerada; fortalecer os sistemas de saúde e etc 7.

O Brasil adota diversas medidas para aumentar mais a adesão ao AME e procurar atingir a meta estipulada pela OMS o mais rápido possível e com isso melhorar os índices de saúde. Com o Pacto pela Vida implantado nas políticas do Sistema Único de Saúde (SUS) em 2011 8. viu-se a necessidade de intervenção em indicadores falhos da atenção básica, sendo eles os maternos e neonatais e mortalidade infantil, sendo assim instituídos o Pacto pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal, o Pacto pela Vida e a Política Nacional de Atenção Básica empoderando o âmbito da Saúde da Família e consolidando sua importância perante a sociedade Brasileira.

Em 2012 a Rede Amamenta Brasil e a Estratégia Nacional para a Alimentação Complementar Saudável (ENPACS) se uniram para formar a  "Estratégia Nacional para Promoção do Aleitamento Materno e Alimentação Complementar Saudável no SUS - Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil (EAAB)", tendo como objetivo qualificar o processo de trabalho dos profissionais da atenção básica com o intuito de reforçar e incentivar a promoção do aleitamento materno e da alimentação saudável para crianças menores de dois anos no âmbito do SUS. Com implantação desta nova estratégia espera-se que aumente a abordagem em quantidade e em qualidade por parte dos profissionais de saúde no estímulo as mães a adotarem ao AME.

Visto todo o histórico de medidas de estímulos ao AME e a sua importância, temos que o AME é por definição a amamentação materna (ordenhada ou direto da mama) e deve ser a única fornecida ao bebê até os 06 (seis) meses de vida, ou seja, não se deve dar nenhum outro alimento ou bebida. As crianças devem ser amamentadas até completar 02 (dois) anos de idade, já com complementos de acordo com aceitação a partir dos seis meses.

Sendo o aleitamento materno classificado em: 1. Aleitamento materno exclusivo, já supracitado; 2. Aleitamento Materno Predominante, quando além do leite a criança recebe outras bebidas à base de água e sucos de frutas; 3. Aleitamento Materno Complementado, criança recebe além do leite materno alimentos sólidos ou semi-sólidos de forma complementar e 4. Aleitamento Materno Misto ou Parcial, quando a criança recebe também outros tipos de leite.9

A manutenção do aleitamento traz inúmeros benefícios ao binômio mãe-bebê e transcendem se estendendo à família, comprovadamente de acordo com o Ministério da Saúde 10  é um alimento completo, auxilia no crescimento e desenvolvimento da criança, reduz as chances de obesidade infantil11  é natural, prático e econômico, aumenta laços afetivos, além de ser um método contraceptivo natural, previne sangramentos no puerpério e diminui risco de câncer de mama e ovários.

No entanto, por múltiplos fatores, a adoção da prática de amamentação no Brasil aproxima-se apenas dos 41%, quando o desejável é manter uma média preconizada como muito boa de aderência que corresponde a 90% dos bebês mantidos em AME. 12  Isto se deve a fatores culturais, sociais e econômicos, onde as famílias não escolhem por amamentar a criança principalmente por desmame precoce. A mulher necessita de compreensão e apoio desde o planejamento familiar para manutenção da prática, já que a decisão de amamentar na maioria das vezes já se é tomada antes da interação com profissionais de saúde.

O estudo de ROLL E CHEATER (2016)13  resume sumariamente os principais pontos que interferem na não aderência ou interrupção da amamentação:

- a culpa e medo materno por não conseguir amamentar ou não produzir leite suficiente, afetando sua percepção da essência do papel de mãe;

- o impacto da imagem corporal durante e após amamentação;

- posicionamento dos companheiros em relação à amamentação;

- a negatividade das mães adolescentes em amamentar;

- a falta de apoio e pressão no local de trabalho;

- mitos sobre a saúde na amamentação; conveniência em opções na alimentação infantil;

- vergonha em amamentar em locais públicos ou na frente de outras pessoas

Pode-se assumir, então, que a múltipla origem da escolha em amamentar necessita de suporte sociológico individual, familiar, religioso, comunitária, mídias sociais, agências de saúde, economia, política, cultura e nacionalidade, entre outros fatores. Conclui-se então que a projetos de intervenção na amamentação materna tem que ser inclusivos, onde a abrangência da saúde seja global.

Esta mesma realidade é observada na UBS do Distrito de Itaguá que inspirou a criar um plano de Intervenção onde se propõe a implantação de políticas de apoio ao aleitamento materno com olhar atento e abrangente aos aspectos sociais, culturais e emocionais que envolvem a saúde do bebê e sua família em nossa comunidade.

Os métodos utilizados para minimizar o desmame precoce e a não aderência à amamentação pode-se utilizar oficinas com formação de tutores e de trabalho na UBS14 , estabelecimento de conhecimento formal e capacitação do tema por toda equipe de saúde, onde o suporte passivo às novas mães seja substituído por intervenções já no planejamento familiar e em consultas pré-natal, para quando do nascimento as orientações passem a ser instituídas de forma prática e grupos de apoio/aconselhamento a possíveis dificuldades que possam ser encontradas.15  Aproveitar a Semana Mundial da Amamentação por ser uma estratégia de mobilização social que contribui para conscientização geral. Contribuindo então para o aumento dos índices de amamentação e para a redução das taxas de mortalidade infantil, com a consequente melhora da saúde da população infantil e materna.

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Essay Sauce, . Available from:< https://www.essaysauce.com/essays/marketing/2018-10-11-1539276625.php > [Accessed 24.10.19].