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  • Subject area(s): Marketing
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  • Published on: 14th September 2019
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O objetivo deste trabalho é aplicar o estudo de redes neuronais articiais com o estudo

do WCM e apurar a sua relação com a rentabilidade das empresas portuguesas.

A Gestão do Working Capital (WCM), é uma área frequentemente abordada pelas

instituições académicas com o intuito de investigar qual a sua relação com o desempenho

das empresas.

Diferentes autores utilizam diferentes variáveis para calcular o WCM. Por exemplo, Gill

et al. (2010) utilizam os ativos correntes e os passivos correntes e armam que esta gestão é

um componente importante das nanças empresariais. No entanto, Lazaridis (2006) utiliza

o Ciclo de Conversão de Caixa (CCC) como variável do WCM.

Segundo Deloof (2003), a forma como os prazos de pagamento, prazos de recebimento

e inventários são geridos tem um impacto signicativo na rentabilidade das empresas e

Lazaridis (2006) obteve resultados que mostram que existe uma signicância estatística entre a rentabilidade e o CCC.

Outros estudos indicam que empresas com alto rendimento seguem políticas de crédito

direcionadas aos clientes para segurar o capital na forma de inventários. Por isso, os prazos

médios de pagamento do nanciamento têm tendência para aumentar pelo facto do custo

dos mesmos ser redirecionado para os clientes. Por outras palavras, pelo facto de aumentar

o número de clientes, visto que há mais crédito, e por sua vez o número de vendas, estas

empresas precisam de comprar mais matéria-prima e aumentar a produção fazendo com

que aumente o valor do inventário.

De acordo com Wilner (2000) a maioria das empresas utiliza extensivamente o crédito

apesar do custo ser mais elevado e esse custo, geralmente representa mais de 18% dos ativos

das mesmas. Da mesma forma, Deloof (2003), através do Banco Nacional da Bélgica, descobriu que em 1997 as contas de pagamento representavam 13% dos ativos enquanto as contas

de recebimento e os inventários representavam 17% e 10% respetivamente. Summers e Wilson (2000) reportaram que, no Reino Unido, mais de 80% das transações diárias são feitas

através de crédito.

3Raheman e Nasr (2007), na análise de empresas paquistanesas, referem que o WCM afeta

a liquidez das empresas e também a sua rentabilidade. Estes autores apuraram que, nas 94

empresas paquistanesas, a relação entre o WCM e o seu desempenho tem uma correlação

de Pearson negativa. O mesmo acontece com Lazaridis (2006) nas empresas gregas, com

Gill et al. (2010) nas empresas americanas, com Padachi (2006) nas empresas mauritanas

(África Oriental) e com Deloof (2003) nas empresas belgas.

No estudo do WCM de Gill et al. (2010), foram utilizados oito componentes:

• Prazo Médio de Recebimento (DAR);

• Prazo Médio de Pagamento (DAP);

• Prazo Médio de Rotação de Inventário (DINV);

• WCM;

• Tamanho da empresa;

• Rácio de endividamento nanceiro;

• Rácio de ativos xos;

• Resultado Operacional Bruto (EBITDA).

Raheman e Nasr (2007) armam que adiar o pagamento aos fornecedores faz com que

as empresas tenham margem para analisar a viabilidade de produtos nanceiros derivados

e assim exibilizar as suas fontes de nanciamento.

Segundo Lazaridis (2006), as empresas podem obter melhores resultados se gerirem corretamente o WCM e otimizarem os níveis de Contas de Clientes, Contas de Fornecedores e

Inventário. Estes podem ser geridos de diferentes formas para maximizar o lucro e acelerar

a taxa de crescimento da empresa. O WCM e as estruturas de capital são duas áreas muito

estudadas para aumentarem a rentabilidade das empresas.

Para este autor, as empresas em forte crescimento deverão seguir uma política de crédito

ao cliente mais restringente enquanto empatam mais capital na forma de inventário. Com

isto, o valor nas contas de fornecedores irá aumentar tal como o seu prazo de pagamento

e irá divergir o custo da empresa para os clientes. No entanto, deve ter-se em atenção

que o crédito ao cliente é um veículo para atrair novos clientes e não deve ser demasiado

restringido. Sendo assim, a decisão de optar por uma política de crédito mais aberta ou mais

restringente, cabe à empresa e que esta deverá fazer estudos de marketing para apurar o

tipo e a quantidade de clientes que serão afetados por esta política.

Dado as contas de clientes, para a maior parte das grandes empresas, terem um investimento signicativo, as políticas de crédito e as práticas da empresa poderão ser fatores

decisivos para o valor da empresa.

4Lazaridis (2006) concluiu, através da análise de regressão linear, que o Resultado Operacional Líquido (EBIT) está negativamente correlacionado com o número de dias do Prazo

Médio de Recebimento, Prazo Médio de Pagamento e WCM. Isto signica que as empresas

mais rentáveis adiam ao máximo possível o prazo de pagamento aos fornecedores e que um

menor WCM gera mais lucro.

Para além disso, obteve também o resultado que existe uma relação negativa entre o

glsacr:ebitda e o inventário, sendo que maior o inventário, menor será o WCM disponível.

No entanto, este resultado não é estatisticamente signicativo.

Neste estudo, os dados sugerem que empresas de menor rentabilidade procuram diminuir

o prazo médio de recebimento numa tentativa de diminuir a falta de capital no seu WCM e

também que, pelo facto da correlação negativa entre resultado e o número de dias do inventário, no caso de uma quebra no volume de vendas a empresa será forçada a tomar decisões

não rentáveis numa tentativa de segurar capital.

Sendo assim, Lazaridis (2006) sugere que os gestores podem criar lucro para as suas

empresas através de uma gestão ecaz do WCM e de cada um dos seus componentes (prazo

médio de recebimento, prazo médio de pagamento e inventário).

Ali e Hassan (2010) analisaram 37 empresas suecas registadas na bolsa de valores através

da análise de regressão e testaram várias hipóteses para apurar a relação entre a gestão do

WCM e a sua rentabilidade dos anos 2004 a 2008. Estes autores referem também que no

passado, as empresas preferiam ter um valor elevado no WCM para fazerem face às suas

obrigações nanceiras, mas que atualmente, com a evolução tecnológica e novas formas de

gestão dos ativos correntes, a gestão do mesmo é considerada um peso para as empresas.

Para Ali e Hassan (2010), no seu estudo do WCM nas empresas suecas, não foi encontrada uma relação entre o WCM e o glsacr:ebitda e que os gestores não conseguem aumentar

a rentabilidade através de novas políticas de gestão do WCM. No entanto, encontraram que

os ativos correntes são o fator mais importante do WCM.

Nestas empresas, vericou-se que tende-se a aumentar o prazo de pagamento aos fornecedores e o prazo de pagamento do nanciamento obtido. Ali e Hassan (2010) armam que

este processo aumenta a liquidez, mas questionam o facto das empresas utilizarem esse

capital como reserva de caixa ao invés do o utilizarem em investimentos de curto prazo,

como é o caso de títulos (securities) de curto prazo. Sendo assim, as empresas diminuem

o risco de terem dívidas acumuladas a curto prazo, mas afeta a rentabilidade pelo facto do

nanciamento a longo prazo ter uma maior taxa de juro.

Esta abordagem assenta no nanciamento dos ativos de curto prazo através de nanciamento de curto prazo e no nanciamento de ativos de longo prazo através de nanciamento

de longo prazo. Isto acontece porque os credores preferem que as empresas mantenham um

nível baixo de ativos de curto prazo para assegurar as garantias do crédito.

Estes autores, tomaram como principio que um WCM mais curto é resultado de uma

5política de gestão do WCM mais agressiva e que um mais longo é resultado de uma política

mais defensiva, tal como referido por Lazaridis (2006)

Para além do WCM, utilizaram também o tamanho da empresa, o rácio de ativos -

nanceiros no total de ativos e a dívida nanceira - dividas que não fazem parte do ciclo

operacional da empresa, ou seja, não representam dividas aos fornecedores, mas sim dívidas de nanciamento. O tamanho da empresa foi calculado através do logaritmo natural

das vendas. A fórmula é a seguinte:

F = ln „S” (1.1)

Onde:

F = Tamanho da Empresa

S = Vendas

Os ativos nanceiros incluem os empréstimos de curto e longo prazo e ajuda a perceber

e explicar a relação entre o total de ativos e o nanciamento externo - tal como referido

por Lazaridis (2006). A fórmula dos ativos nanceiros é composta pela soma dos seguintes

valores:

• Investimentos em Capital Próprio;

• Rendimentos nanceiros;

• Ativos para venda;

• Ativos disponíveis para venda;

• Derivados;

• Títulos;

• Outros rendimentos.

A dívida nanceira é calculada através da soma das hipotecas de curto e longo prazo e

dos empréstimos de curto e longo prazo.

Os resultados obtidos por Ali e Hassan (2010), mostram que existe pouca relevância

entre o desempenho da empresa e os ativos nanceiros, mas que existe uma relação forte

entre a dívida nanceira e o desempenho.

Estes autores não encontraram uma relação entre o WCM e a rentabilidade das empresas suecas porque a análise de regressão não conseguiu determinar uma relação entre as

diferentes variáveis, sendo que nas três análises que zeram aos dados, o valor obtido era

0 (zero).

6No entanto, encontraram que a dívida nanceira de curto prazo é a forma mais barata

de nanciamento para uma empresa e que pode aumentar a rentabilidade, que a dívida

nanceira tem uma pequena relação com os ativos xos nanceiros, que os dois juntos

inuenciam positivamente (correlação positiva) o EBIT e que o tamanho da empresa tem

um correlação negativa com o mesmo.

Devido a uma incoerência nos dados, não conseguiram denir uma correlação entre o

WCM e os elementos que o compõem.

Para Ali e Hassan (2010), os resultados das regressões dos dados mostraram que existia

uma relação negativa entre o glsacr:ebitda e o número de dias do prazo de recebimentos

que, para os autores, fazia sentido na forma em que um maior período de crédito que a

empresa oferecia aos seus clientes para aumentar o número de vendas, resultava antes num

aumento do nível de créditos incobráveis.

Tornou-se claro para estes autores, que as empresas suecas aumentavam a sua rentabilidade fazendo uso de dívidas nanceiras para nanciar as suas operações.

No estudo de Garg e Gumbochuma (2015) sobre o impacto do WCM nas empresas de

África do Sul, os autores encontraram uma relação negativa entre o WCM e o glsacr:ebitda,

uma relação negativa entre a rentabilidade e o rácio de dívida nanceira e um impacto positivo do fundo de maneio e da rentabilidade, mas que não era estatisticamente signicante.

Estes autores encontraram também uma relação negativa entre a rentabilidade das empresas e o seu tamanho sendo que, as mais pequenas têm maior rentabilidade.

Neste estudo foi utilizado, também, o WCM como WCM.

E neste estudo foi vericado que esconder os lucros para evitar os impostos é uma

prática comum para as empresas dos mercados emergentes não listadas em bolsa, o que

as torna menos adequadas como amostras da análise onde é necessário inferir baseando-se

em dados nanceiros sobre o WCM. O mesmo foi observado no estudo de Lazaridis (2006).

Tal como nos estudos anteriores, Garg e Gumbochuma (2015) utilizaram o glsacr:ebitda

como variável da rentabilidade das empresas e a equação 1.1 como fórmula do tamanho da

empresa. Estes autores zeram uso de análises de regressão para apurar a correlação entre

o WCM e a rentabilidade.

A relação entre o tamanho da empresa e a rua rentabilidade teve um valor 0.4960, o que

se traduz no correlação parcial positiva em que a rentabilidade está associada ao tamanho

da empresa. Isto signica que a rentabilidade de uma empresa aumenta se o seu tamanho

(Volume de Vendas) aumentar, mas não na mesma magnitude.

Por outro lado, a relação entre a rentabilidade e o rácio de dividas nanceiras teve um

resultado de -0.585, o que signica que existe uma correlação negativa em que conforme

o rácio de dívidas nanceiras aumenta, a rentabilidade da empresa diminui, mas não na

mesma magnitude.

A relação entre a rentabilidade e o WCM teve um resultado de -0.225 e foi consider-

7ada como estatisticamente relevante. Este resultado vai de acordo a outros estudos que

encontraram também uma correlação negativa entre estes dois valores.

O pressuposto neste estudo é que não são analisados fatores especícos de cada empresa,

mas sim fatores comuns a todas elas e que podem afetar a rentabilidade. Mesmo para empresas do mesmo setor, como no caso das empresas industriais, existem fatores especícos que

se destacaram no teste de especicidade de Hausman e que são únicos para cada empresa.

Daí, ter mais empresas na amostra dos dados aumenta a variabilidade e consequentemente,

aperfeiçoa a precisão dos resultados da regressão e doutras análises estatísticas.

Garg e Gumbochuma (2015) concluíram que o principal objetivo da gestão do Working

Capital numa empresa, é gerir os fundos de curto prazo que são necessários para as atividades diárias e que os das empresas do setor de retalho podem aumentar a rentabilidade

com a redução do CCC.

Os resultados deste estudo são semelhantes aos estudos noutros países e indicam que o

WCM e as suas componentes têm um impacto signicativo nos níveis de rentabilidade das

empresas.

A alavancagem nanceira está também negativamente correlacionada com a rentabilidade, o que signica que um maior valor da dívida nanceira afeta adversamente o desempenho de uma empresa.

L =

S − C − ESS

EBIT

(1.2)

Onde:

L = Alavancagem Financeira

S = Vendas

C = Consumos

ESS = Fornecimentos e Serviços Externos

EBIT = Resultado Antes de Juros e Impostos

Ching et al. (2011) através do estudo do impacto do do WCM das empresas brasileiras,

obtiveram resultados que mostram que independentemente do tipo de empresa, a gestão do

WCMé igualmente importante e que, gerir os inventários e o CCC a um nível óptimo gera

mais lucro nas empresas.

Para estes autores, o WCM é uma ferramenta de gestão importante, pois representa

uma fonte de rendimento numa era em que a as empresas estão inseridas num mercado

global de preços baixos e que precisam de nanciamento para se expandirem, interna ou

externamente, para investirem em novas tecnologias e produtos ou para reduzirem a sua

dívida.

A Dell (empresa de computadores), em 1998 tinha um Prazo Médio de Recebimento e 36

dias, Prazo Médio de Rotação de Inventários de 7 dias e Prazo Médio de Pagamento de 51

8dias, o que se traduz numa gestão eciente e ecaz do WCM e que resultou numa margem

bruta de 2 722 milhões de dólares nesse mesmo ano face a 1 666 milhões de dólares do ano

de 1997.

No ano de 2006, um estudo sobre WCM feito pela CFO Magazine, apurou que houve uma

evolução geral nas variáveis que o compõem ao longo dos anos nas empresas brasileiras

e um estudo feito pela Deloitte em 2007 obteve resultados que mostram que 48% das 490

pequenas e médias empresas analisadas utilizam capital interno (principalmente lucro e

WCM) como nanciamento para as suas operações, seguido de empréstimos e mercados de

capitais.

Ching et al. (2011) optaram por divergir a sua análise de outros estudos, na medida em

que utilizaram dois tipos de empresas e mediram o desempenho das empresas através de

três formas diferentes.

As variáveis utilizadas neste estudo são as seguintes:

Variáveis

Empresa

Empresas com gestão intensiva de Working Capital

Empresas com gestão intensiva de capitais xos

Ativos Financeiros Fixos

Tamanho da Empresa (equação 1.1)

Rácio de Dívida Financeira

Desempenho

Vendas

Retorno sobre Ativos

Retorno sobre o Capital Próprio

Working Capital

Ciclo de Conversão de Caixa:

- Prazo Médio de Pagamentos

- Prazo Médio de Recebimentos

- Prazo Médio de Rotação de Inventários

Eciência do Ciclo de Conversão de Caixa

Tabela 1: Variáveis do estudo do Working Capital das empresas brasileiras de Ching et al.

(2011)

A fórmula para o cálculo da Eciência do Ciclo de Conversão de Caixa é a seguinte:

CCE =

R + I − P

S

(1.3)

Onde:

9CCE = Eciência do Ciclo de Conversão de Caixa

R = Contas de Clientes

I = Inventários

P = Contas de Fornecedores

S = Vendas

A análise dos dados foi feita através de 2 amostras: uma primeira amostra continha 16

empresas com gestão intensiva do WCM e uma segunda amostra que continha 16 empresas

com gestão intensiva de capitais xos.

Estes autores, baseando-se nos estudos anteriores do WCM, procuraram comprovar a

existência de uma relação negativa forte entre o CCC nas empresas brasileiras. Outros

autores, nomeadamente Raheman e Nasr (2007), referiram que existia uma relação negativa

entre liquidez e rentabilidade, que signica que uma empresa com maior liquidez é uma

empresa com menor rentabilidade e vice-versa.

Estes autores obtiveram dados que mostram que a gestão dos prazos médios de pagamento e de recebimento e rotação de inventários é fraca e que as empresas menos rentáveis

esperam mais para pagar aos fornecedores.

Apesar de alguns dos indicadores apresentarem correlações negativas com o desempenho, o CCC mostrou-se mais importante que a liquidez geral para a rentabilidade das

empresas.

Estes autores notaram que no estudo do WCM de Deloof (2003), o Prazo Médio de Pagamento apresentava uma relação negativa com o desempenho, enquanto que, no estudo de

Lazaridis (2006) apresentava uma relação positiva.

Os dados das empresas brasileiras mostraram que existe empresas com dívidas nanceiras de 95% sobre o capital da empresa, que o impacto do WCM afeta a rentabilidade em

6%, que o valor médio do CCC (-16 dias) do primeiro tipo de empresas é muito superior ao

valor médio do segundo tipo de empresas (55 dias), que os prazos médios de recebimentos

para cada tipo de empresa têm em média 33 dias e 63 dias respetivamente, e que o prazo de

rotação de inventários tem uma média 50 dias e 47 dias para cada tipo de empresa. Os dados

mostram também que existe uma relação negativa entre os dias de inventário e o CCC.

A seguinte tabela mostra os dados obtidos neste estudo:

O que esta tabela nos diz é que apesar de as empresas que não efetuam uma gestão

intensiva do WCM terem uma média de rentabilidade superior, não se traduz no argumento

de que não é necessário controlar o WCM, muito pelo contrário, este é importante e tem

uma maior probabilidade de sucesso para uma empresa, visto que as empresas que não o

controlam de forma intensiva terem uma rentabilidade que varia entre os 71% e os -99%,

enquanto que as que o fazem, têm um variação compreendida entre os 44% e os -12%.

Para além disso, Ching et al. (2011) observaram, também, que o Prazo Médio de Rotação

de Inventários tem uma relação negativa com o CCC. Isto signica que um maior número

10Tabela de Dados

DAR DINV WCM Desempenho (%)

Tipo 1 Tipo 2 Tipo 1 Tipo 2 Tipo 1 Tipo 2 Tipo 1 Tipo 2

Média 33.0 62.6 50.2 47.3 -15.5 55.1 8 6

Mediana 29.6 71.2 44.4 43.4 9.0 55.5 5 7

Desvio Padrão 20.0 25.4 27.9 20.0 85.1 45.7 23 7

Máximo 102.7 99.4 184.1 108.8 92.9 133.8 71 44

Mínimo 1.4 13.9 15.7 18.6 -274.4 -50.8 -99 -12

Tabela 2: Dados das empresas brasileiras do estudo de Ching et al. (2011) - Prazos Médios,

Ciclo de Conversão de Caixa e Desempenho

de dias de rotação de inventários, resulta num menor número de dias de CCC. Estes autores

obtiveram também relações negativas do Prazo Médio de Rotação de Inventário e do Rácio

de Dívida Financeira com o valor de Vendas, que indica que uma diminuição da dívida

nanceira e do número de dias de rotação de inventários geram maior rentabilidade para

as empresas.

Nestes resultados foi observado que as empresas brasileiras aumentam o Prazo Médio

de Recebimento de forma a aumentar o número de vendas.

Ching et al. (2011) concluíram que não existe signicância estatística para comprovar

a hipótese de que existe uma relação negativa entre o CCC e o desempenho das empresas, até porque os resultados mostraram uma relação positiva. Por outro lado, os autores

encontraram uma relação negativa entre a Eciência do CCC e o desempenho.

Tabela de Dados

CCE (%) Desempenho (%)

Tipo 1 Tipo 2 Tipo 1 Tipo 2

Média -5 15 8 6

Mediana 2 14 5 7

Desvio Padrão 24 13 23 7

Máximo 26 42 71 44

Mínimo -76 -14 -99 -12

Tabela 3: Dados das empresas brasileiras do estudo de Ching et al. (2011) - Eciência do

Ciclo de Conversão de Caixa e Desempenho

Isto indica que, tanto para as vendas como para o retorno sobre ativos, a gestão do WCM

é igualmente importante para os dois tipos de empresas, porém a forma como este é gerido

varia conforme o tipo de empresa. Os resultados mostram que este é melhorado através da

diminuição dos dias do Prazo Médio de Rotação de Inventário.

11O impacto das variáveis do WCM nas vendas e no retorno sobre ativos, foi considerado

estatisticamente relevante porque explica, através de regressão linear, 12.5% e 16.5% respetivamente nas empresas do tipo 1 e 21.7% e 18.4% das empresas de tipo 2. O impacto da

Eciência do Ciclo de Conversão de Caixa (CCE) mostrou-se muito relevante para os dois

tipos de empresas. Para o retorno sobre ativos, a variável com mais impacto foi o Prazo

Médio de Rotação de Inventário e o rácio de endividamento tem uma relação negativa com

o mesmo.

As variáveis que mais afetam o desempenho das empresas que gerem intensivamente o

WCM são a CCE e o Prazo Médio de Rotação de Inventário, enquanto que para as empresas

que gerem intensivamente os ativos xos, as mais impactantes são o CCC e o rácio de

Endividamento.

D =

L A

(1.4)

Onde:

D = Rácio de Endividamento

L = Passivo

A = Ativos

No estudo de Serrasqueiro (2014) sobre o impacto do WCM nas empresas portuguesas

de 2001 a 2006, os resultados mostraram que os gestores devem otimizar a gestão das suas

componentes (Prazos Médios de Recebimento, Pagamento e Rotação de Inventário) para

aumentar a sua rentabilidade.

Tal como no estudo do WCM de Deloof (2003) e Padachi (2006), Serrasqueiro (2014)

também utilizou como fórmula do WCM o Ciclo de Conversão de Caixa. No entanto, o

resultado deste estudo diverge dos resultados dos outros estudos. O CCC não se mostrou

estatisticamente relevante para a rentabilidade das empresas portuguesas. Isto foi causado,

provavelmente, pela endogeneidade, isto é, existem pelo menos dois fatores do WCM que

estão associados entre si, não permitindo que fossem apuradas as correlações do CCC com

a rentabilidade - o mesmo foi vericado por Deloof (2003).

Segundo Serrasqueiro (2014), na teoria do WCM, mais um dia no CCC signicaria que

as empresas teriam que esperar mais tempo para recuperarem o capital investido nas suas

operações e que o capital estaria amarrado ao Working Capital.

Nos dados analisados, verica-se que, por um lado, o aumento do prazo de recebimento

para facilitar o créditos aos clientes, tem como resultado um aumento do volume de vendas,

por outro lado, uma maior rigidez no prazo de pagamento, leva a um aumento do retorno

sobre ativos. O efeito de uma política mais restringente sobressai à política de facilidade

de crédito no que toca a um maior impacto na rentabilidade das empresas. Deloof (2003)

sugere que a explicação destes resultados está no facto de, normalmente, as empresas menos

12rentáveis pagarem mais tarde aos seus fornecedores. E o impacto negativo na rentabilidade

pode ser explicado pelo maior custo para os fornecedores darem crédito que levará a uma

má relação entre ambos e a uma diminuição das transações. O custo para a empresa, por não

fazer uso dos descontos de pronto-pagamento dado pelos fornecedores, pode estar implícito

no impacto negativo na rentabilidade. A rentabilidade diminui, também, com o aumento do

número de dias de inventário. Tal como esperado, isto signica que, manter o inventário

menos tempo, reduz os custos e tem um impacto positivo na rentabilidade das empresas.

O CCC é utilizado como medida do WCM, mas na análise feita por este autor, esta

situação não foi vericada por falta de signicância demonstrada nos resultados.

Segundo o autor, as empresas precisam de criar valor para atrair os shareholders a investir mais na empresa, e o WCM pode ser incluído como um dos fatores que cria mais

valor.

Este autor refere também que este trabalho teve algumas limitações no que toca aos

dados das empresas. O período analisado foi de 2001 a 2006 e neste período, Portugal estava a atravessar um momento de crise e muitas das empresas tiveram que ser excluídas

da amostra, pois fecharam durante o período de análise deste estudo. No nal, foram analisadas 3360 empresas, registadas na base de dados da Bloomberg.

A variável “Tamanho da Empresa”, calculada pela fórmula 1.1, tem uma relação negativa com a rentabilidade. Isto vai contra a teoria que “empresas grandes têm maior rentabilidade”. Nos dados obtidos, empresas mais pequenas declaram maior rentabilidade. O aumento das vendas tem um impacto positivo na rentabilidade, que signica que, empresas em

crescimento na sua atividade operacional, têm um efeito positivo no retorno sobre ativos.

Rehn (2012) introduziu no seu estudo do WCM o Teorema da Separação de Fisher, que

explica que as empresas devem evitar a confusão entre investimento e nanciamento. Este

teorema relaciona-se com o WCM na medida em que as empresas devem separar “quanto

investir no WCM” e “como vão nanciar esse investimento”. Por isso, este autor utilizou

duas medidas de WCM:

• Working Capital Líquido (NWC): investimento que é necessário para as contas a receber, inventários e caixa;

• Working Capital Bruto (GWC): diferença entre ativos correntes e passivos correntes

- nanciamento de curto prazo e contas de fornecedores.

O NWC indica quanto do seu capital de longo prazo é necessário investir no WCM. Este

pode também tomar valores negativos, que representam que a empresa tem mais passivo

corrente do que ativo corrente. De acordo com o Teorema de Fisher, o GWC é o investimento

e o NWC é o nanciamento. Para este autor, as empresas têm que gerir estes dois fatores

aquando da optimização e da maximização do lucro e da liquidez.

13Tabela de Ativos e Passivos Correntes

20xx 20xx

Caixa xx Contas de Fornecedores xx

Títulos xx Divida de Longo Prazo xx

Contas de Clientes xx Notas de Crédito xx

Inventário xx Despesas Acumuladas xx

Pré-pagamentos xx Taxas xx

Outros ativos correntes xx Outros passivos correntes xx

Total de Ativos Correntes xxx Total te Passivos Correntes xxx

Tabela 4: Exemplo do WCM num balanço, Strischek (2002)

A gestão eciente destas variáveis destacadas, podem diminuir o NWC. Como exemplo,

através de uma política mais agressiva nas contas de clientes, uma empresa não cará tão

dependente do nanciamento de longo prazo (que é mais dispendioso do que nanciamento

de curto prazo)1 para nanciar as suas operações.

Do ponto de vista do credor, os passivos correntes devem cobrir a maior parte do -

nanciamento dos ativos correntes e a outra parte deve ser coberta pelo capital próprio dos

shareholders.

Rehn (2012) dividiu o WCM em Working Capital Operacional (OWC) e Working Capital Financeiro (FWC). O primeiro é a parte que pode controlada e otimizada pela gestão

das empresas e afeta as suas operações, esta parte é composta pelas contas de clientes, inventários e contas de fornecedores. O segundo é a parte que não está ligada diretamente às

operações da empresa, mas são afetas pelas decisões de nanciamento.

Por um lado, quanto mais a empresa amarra os ativos ao WCM, mais ilíquida ca, isto

signica que uma gestão eciente do WCM possibilita à empresa investir no crescimento,

pagar o nanciamento de curto prazo e a reduzir os custos de investimento. Por outro lado,

o problema situa-se na otimização do WCM, pois a empresa não pode reduzir ao máximo

os prazos médios sem comprometer o volume de vendas, isto é, não se pode reduzir todo

o crédito a clientes e para satisfazer a produção é necessário manter um determinado volume de inventários. Um ótimo nível de WCM é um onde existe um balanço entre risco e

eciência, Filbeck e Krueger (2005).

Segundo Rehn (2012), os recursos das empresas estão, normalmente, investidos em investimentos de capital, tal como, máquinas, equipamento e investimentos de curto prazo

(WCM). A forma como as empresas nanciam estes investimentos, depende da sua estrutura de capital.

1As empresas têm que ter em conta o custo do capital e da dívida. Está na sua responsabilidade a decisão de

optar por dívida de curto ou de longo prazo. A Média Ponderada de Custo de Capital é a forma de comparar

o custo destes tipos de dívida.

14O NWC tem que ser nanciado de alguma forma. No caso deste ser positivo (em que

os ativos correntes superam os passivos correntes), este é nanciado com capital de longo

prazo, tal como títulos ou empréstimos de longo-prazo, por outro lado, se este for negativo

(os passivos correntes superam os ativos correntes), o NWC é nanciado através de capital

de curto prazo, que aumenta o custo do empréstimo signicativamente.

O custo dos ativos que as empresas adquirem ao longo do tempo chama-se Requisitos

de Capital Acumulado. Este capital, por norma, aumenta de forma irregular, tento a haver

com a natureza cíclica da maior parte dos negócios (ano a ano, mês a mês). Este capital pode

ser nanciado quer com nanciamento de curto prazo, quer de longo prazo. No caso do -

nanciamento de longo prazo não ser suciente para cobrir o capital requerido, é necessário

obter também nanciamento de curto prazo para a empresa conseguir nanciar as suas operações. Por outro lado, se o nanciamento de longo prazo for superior ao capital requerido,

a empresa terá um acréscimo de caixa. Isto ajuda a determinar o tipo de nanciamento que

a empresa, normalmente adquire através do seu balanço, Brealey et al. (2006).

Figura 1: Requisitos de Capital Acumulado - Brealey et al. (2006)

Nesta gura, estão representadas 3 diferentes estratégias (A, B ou C) que as empresas

podem tomar em relação ao Requisito de Capital Acumulado. Na medida em que as empresas crescem, também cresce o requisito de capital. No caso A, a linha indica uma estratégia

em que a empresa tem excesso de caixa, que pode depois ser investido em aplicações de

curto prazo. A linha B mostra uma estratégia onde a empresa dá crédito aos clientes mdurante metade do ano e, na outra metade, utiliza nanciamento de curto prazo. A linha C

mostra uma empresa que está em permanente necessidade de nanciamento de curto prazo.

Esta gura mostra como o WCM afeta as decisões nanceiras de uma empresa. Nalguns

casos, as empresas que empatam capital nos ativos correntes, podem precisar de utilizar

mais nanciamento de longo prazo, do que uma empresa que consegue gerir a maturidade

15dos passivos de curto prazo com os ativos de curto prazo. Tendo conhecimento disto, é

necesário que se tenha em conta que pode não existir uma estratégia ótima para todas as

empresas, Brealey et al. (2006).

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