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Essay: The Story of Odebrecht: From Local Rescue to Global Expansion

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  • Published: 1 April 2019*
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4.1.1 Primeiros Anos

Fundada em 1944 pelo engenheiro civil Norberto Odebrecht, o objetivo inicial da empresa Construtora Norberto Odebrecht S.A (CNO) era resolver problema de insolvência da construtora do seu pai, Emílio Odebrecht, que acumulava dívidas devido ao aumento súbito dos insumos em decorrência da 2ª Guerra Mundial. A abertura da nova empresa, sediada na cidade de Salvador, Bahia, sem capital próprio, e que inicialmente funcionava apenas como construtora, permitiu o refinanciamento das dívidas da antiga construtora do pai de Norberto junto ao Banco da Bahia e a captação de novos clientes. A empresa adotou uma estratégia bem-sucedida e inovadora de trabalhar com redução dos prazos em cima de recebimento de bônus, com a consequente divisão dos lucros entre a empresa e os funcionários.

No início da década de 50, em meio a algumas crises financeira no processo de expansão da empresa para o interior da Bahia, se inicia a relação, que foi se tornando cada vez mais íntima entre a CNO e o Estado Brasileiro ao conseguir o seu primeiro grande cliente estatal: a Petrobrás. Essa parceria foi essencial para que a construtora obtivesse know-how tecnológico e administrativo tornando cada vez mais competitiva no mercado. Aproveitando-se da criação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), a CNO – enquanto todos os olhos do Brasil se voltavam para Brasília – consolidou a sua presença no Norte e Nordeste do Brasil construindo grande obras públicas como barragens e pontes.

Com o grande aprendizado no Norte e Nordeste, a empresa se expandiu para a região centro-sul do Brasil e se aproveitou do protecionismo econômico do período militar para consolidar a sua presença no mercado nacional. Com o mercado protegido de concorrência externa e com a empresa obtendo cada vez mais know-how, ficava cada vez mais fácil e rápido ganhar licitações e obter crédito subsidiado. Aproveitando-se do período denominado “milagre econômico” e dos financiamentos públicos do 2º Plano Nacional do Desenvolvimento, a CNO se tornou uma gigante nacional e estava pronta para iniciar seu processo de internacionalização.

4.1.2 Internacionalização

Parte por competência, parte por saber aproveitar as oportunidades geradas por um estado intervencionista e nacionalista e parte por saber se beneficiar da rede de relacionamento criada pela empresa ao longo dos anos, a CNO conseguiu acumular um enorme conhecimento técnico permitindo que a empresa pudesse atuar nas mais diversas áreas que requeriam diferentes capacidades e tecnologias. Via aprendizado próprio, aquisições, joint ventures dentre outros a empresa adquiriu grande vantagem competitiva possibilitando se pensar a possibilidade de internacionalizar a empresa para que ela pudesse continuar crescendo. Percebendo que o crescimento econômico artificial criado pelo regime militar não duraria para sempre, Emílio Odebrecht decidiu, junto a um grupo montado por ele para estudar estratégias e oportunidades para internacionalização, em 1979, dar início ao processo de internacionalização da CNO.

A CNO foi muito cuidadosa em seu processo de internacionalização. Primeiramente, ela buscou se internacionalizar para locais com pouca “distância psíquica” (Johanson e Vahlne, 1977) – isto é, poucas diferenças em relação a língua, cultura, prática de negócios e desenvolvimento industrial – dando preferência a países em desenvolvimento, similares ao Brasil. A empreiteira foi montando aos poucos a sua rede de relacionamentos nos países onde a empresa tinha IED, buscando parcerias, associações e alianças estratégicas com parceiros locais como forma de se proteger e potencializar sua inserção nos mercados externos. As pessoas escolhidas para as funções internacionais eram completamente incorporadas à cultura da empresa e altamente preparadas; os países escolhidos tinham sinergias políticas com o governo brasileiro, facilitando negociações e financiamentos públicos; e havia uma visão de longo prazo, com possibilidades de permanecer nos países escolhidos pela empresa para IED, transferindo tecnologia com o objetivo de criar redes permanentes de relacionamentos pessoais, empresariais, técnicos e científicos (Abreu, 2009; Odebrecht, 1992).

A década de 90 representou uma nova etapa no processo de internacionalização da CNO. A emprese decidiu entrar em mercados mais competitivos de países desenvolvidos. Esses mercados, por serem mais amadurecidos, estáveis e institucionalmente fortes, geraram uma menor dependência da CNO em relação à atuação do governo brasileiro; essa parceria seria logo retomada nos anos 2000, com o início dos governos do PT e a política dos “campeões nacionais” pregada pelo Partido do Trabalhadores.

4.1.3 Política dos Campeões Nacionais

A partir do governo Lula, que se inicia em 2003, começa uma aceleração no processo de internacionalização das empreiteiras brasileiras (Campos, 2015). Ao adotar uma nova estratégia de política externa, o ex-presidente Lula tinha a intenção de aumentar o poder e a projeção internacional do Brasil. Para isso, seus governos se utilizariam de instrumentos como a diplomacia presidencial, o financiamento público através do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) e a atuação do Ministério de Relações Exteriores (MRE) no auxílio ao processo de internacionalização de empresas brasileiras, especialmente as empreiteiras, sendo a Odebrecht a empresa que mantinha os laços mais estreitos com o governo. Entre os períodos de 2003-2012 a CNO concentrava aproximadamente 69% dos investimentos do BNDES destinados a empreiteiras e 63% das obras no exterior. Com esse dinheiro subsidiado, a empresa obteve grande vantagem competitiva, principalmente, nos mercados da América Latina e África.

Aproveitando-se do ativismo político do ex-presidente Lula, do ativismo comercial do MRE e do ativismo financeiro do BNDES a Odebrecht se tornou uma das maiores empreiteiras do mundo. Ao usufruir da rede de relacionamentos construída ao longo dos anos e do seu alinhamento com o estamento burocrático brasileiro, a CNO usou e abusou de práticas ilícitas para acelerar o seu processo de internacionalização. Como estratégia principal nos anos 2000, a empresa priorizou IED em países institucionalmente fracos, com altíssimos índices de corrupção e bom relacionamento com o governo brasileiro. 55% dos projetos da empreiteira no exterior se concentravam em cinco países específicos: Angola, Argentina, Panamá, Peru e Venezuela; as obras nestes países chegaram a receber 81% dos recursos do BNDES destinados a obras da empresa no exterior.

Dessa forma, a empresa se beneficiou do conhecimento prévio sobre a corrupção onipresente e institucionalizada em determinados países (escolhidos a dedo), levando em consideração o relacionamento com o governo brasileiro e a facilidade para execução de práticas ilícitas.  Isto foi utilizado como estratégia, tanto de entrada, quanto de consolidação da Odebrecht em países em desenvolvimento. Hoje, sabe-se que a Odebrecht é responsável pelo maior caso de corrupção na história mundial, segundo o Ministério da Justiça dos Estados Unidos. A empresa (juntamente com a Braskem) confessou o pagamento de mais de U$$1 bilhão em propinas em 12 países (Angola, Argentina, Colômbia, República Dominicana, Equador, Guatemala, México, Moçambique, Panamá, Peru e Venezuela) montando um complexo esquema de pagamentos, em que a empresa precisou até mesmo comprar um banco em uma ilha do Caribe para operá-lo. Até o momento, a empresa chegou a um acordo de leniência assinado no Brasil, Estados Unidos e Suíça em que se compromete a pagar quase 7 bilhões em multas para os 3 países.

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Essay Sauce, The Story of Odebrecht: From Local Rescue to Global Expansion. Available from:<https://www.essaysauce.com/sample-essays/2018-4-5-1522955990/> [Accessed 22-04-26].

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