O objetivo deste trabalho centra-se numa an”lise dos poss”veis ganhos e estrat”gias de cobertura de investimento, para as pequenas e m”dias empresas como ind”strias, empresas com importa”o e exporta”o e pequenas e m”dias empresas agr”colas portuguesas, resultantes da utiliza”o adequada de derivados financeiros como forma de gerir flutua”es futuras de pre”os dos seus produtos.
Dado a complexidade dos derivados financeiros, procur”mos chamar aten”o do leitor, numa primeira fase do presente trabalho, para algumas das quest”es fundamentais dos instrumentos derivados, passando depois para an”lise mais detalhada dos diversos derivados financeiros, respetivos contratos e estrat”gias a utilizar, onde se pretende analisar os poss”veis ganhos decorrentes de uma utiliza”o cuidada destes tipos de contratos para as pequenas e m”dias empresas portuguesas.
A abordagem sobre os derivados foca-se nas suas caracter”sticas espec”ficas e riscos inerentes ” sua utiliza”o. Entretanto, focamos de forma sint”tica, outros pontos importantes, como benef”cios e riscos da alavancagem, as particularidades dos contratos de derivados, derivados como estrat”gias de cobertura de investimento e a participa”o dos diferentes agentes no mercado, tais como, especuladores, arbitragistas e hedgers.
A primeira parte do trabalho pretende ser uma an”lise sucinta dos derivados financeiros, tendo como objetivo elucidar os agentes econ”micos portugueses sobre a utiliza”o destes instrumentos, bem como dos cuidados que devem ter em conta, sem descurar da regulamenta”o a que est”o sujeitos.
Na segunda parte analisamos especificamente as caracter”sticas dos derivados, bem como os diferentes contratos e mecanismos de funcionamento e estrat”gias existentes.
Avaliamos a utiliza”o dos derivados financeiros no mercado portugu”s atrav”s de um inqu”rito online feito as pequenas e m”dias empresas de forma aleat”ria, para podermos caracterizar o mercado, perceber se os agentes econ”micos conhecem os instrumentos derivados e tentar deste modo trazer valor acrescentado para o mercado portugu”s com o presente trabalho.
Instrumentos Derivados
‘Os produtos derivados chamam-se assim, porque ‘derivam’ de um produto subjacente que ” transacionado no mercado ” vista.'(Silva, Eduardo; Mota, Carlos; Queir”s, M”rio; Pereira, 2016)
O que s”o Derivados?
Os derivados financeiros s”o instrumentos de mercado cujo valor est” associado a outros ativos, atrav”s de uma rela”o contratual entre duas ou mais partes, no qual todas as condi”es inerentes ao pagamento ou qualquer outra a”o a executar futuramente s”o previamente definidas. As suas fun”es s”o variadas e v”o desde a gest”o e cobertura de risco ( hedging), ” arbitragem e ” especula”o, dependendo dos objetivos dos seus utilizadores.
Nos ”ltimos anos tem-se assistido a uma crescente utiliza”o de instrumentos derivados. Os bancos de investimento t”m incentivado a utiliza”o destes instrumentos financeiros, bem como t”m sido os principais respons”veis pela cria”o dos mesmos, para infinitas situa”es.
Os derivados s”o instrumentos negociados em mercado OTC (over the counter), onde as institui”es financeiras disponibilizam para os seus clientes, ou em mercado de bolsa como ” no caso das Op”es e do Futuros. Os mercados OTC ou mercado de balc”o, s”o mercados pouco regulamentados, que n”o garantem liquidez de negocia”o e por consequente apresentam maior risco para os investidores, principalmente para investidores particulares/individuais.
Uma vez que os Derivados t”m um ativo subjacente, o valor dos derivados dependem do valor de mercado do ativo subjacente ou ativo base, e de vari”veis como as taxas de c”mbio e as taxas de juro.
Os derivados financeiros utilizados com cuidado e responsabilidade, podem gerar grandes receitas, contudo, ” de real”ar que o r”pido crescimento do uso de derivados devido a novidade, a procura de novas ferramentas financeiras e a grande publicidade dos mesmos, provocaram perdas elevad”ssimas que, por sua vez, t”m originado pol”micas e diversos debates a cerca destes instrumentos e sua utiliza”o, nomeadamente os benef”cios que podem gerar, os riscos inerentes a utiliza”o destes instrumentos e a regulamenta”o existente para estes instrumentos.
Tendo em aten”o os tr”s objetivos para usarmos os derivados, ” importante fazer uma breve explica”o de como estes instrumentos financeiros podem ser utilizados. Come”ando pelo objetivo de investimento, este objetivo est” associado a especula”o visto que ” uma forma agressiva de investir e, o especulador ( investidor) assume riscos de perda substancial em troca de risco de lucros esperados mais elevados resultantes de flutua”es dos pre”os. Por outras palavras, o uso de derivados como investimento, consiste na procura de oportunidade de ganho sabendo que existe igualmente o risco de perda. Passando agora para o uso de derivados financeiros para gest”o e cobertura de risco ( hedging), consiste em ‘reduzir riscos operacionais e financeiros a que as empresas ou particulares est”o expostos, no caso de movimentos adversos nos pre”os'(Ferreira D. 2” ed. 2010). Neste caso de hedging, o objetivo ” minimizar o risco de perdas e deste modo minimizar os riscos operacionais e financeiros. Por ”ltimo, mas n”o o menos importante, outro objetivo do uso de derivados ” arbitragem, que ” uma estrat”gia com enfoque nos lucros, mas sem correr riscos, aproveitando as falhas de mercado que podem ter um mesmo ativo com pre”os diferentes. Por norma, estas falhas de mercado originam ganhos reduzidos, s”o tempor”rias e ajustadas logo que identificadas.
Assim sendo, este trabalho ir” incidir sobre estes pontos de forma a expor os principais aspetos e deste modo trazer valor acrescentado ao leitor.
Descri”o dos Derivados Financeiros
Sendo um mercado vasto, ” importante focar nas principais caracter”sticas destes produtos financeiros. Assim, tendo em aten”o ao prop”sito deste trabalho, ser”o escolhidos quatro instrumentos derivados do vasto leque de instrumentos derivados que existem. A escolha incide sobre Op”es, Futuros, Forwards e Swaps.
Op”es
As op”es s”o contratos standardizados que d”o ao comprador o direito, mas n”o uma obriga”o, de comprar ou vender um activo a um pre”o pr”-acordado ( pre”o de exerc”cio) dentro de um per”odo de tempo determinado. N”o h” a obriga”o de exercer a op”o e executar a transac”o, na qual o vendedor ” apenas um agente passivo. Tamb”m s”o instrumentos negoci”veis transaccionados em mercados derivados. S”o utilizados para especular ou para reduzir os riscos.
Futuros
Os futuros s”o contratos standardizados que obrigam as partes, a transaccionar um instrumento numa data futura ao pre”o pr”-acordado. Estes contractos d”o o direito de comprar ou vender uma determinada quantidade de produto ou g”nero de activo, numa data espec”fica e a um pre”o pr”-acordado. Na transac”o de futuros, os compradores e vendedores t”m obriga”es com a sua contraparte. Os contratos s”o utilizados para opera”es de hedging ( cobertura de risco) ou para especular.
Forwards
S”o opera”es com contractos a prazo, em que o comprador e o vendedor acordam a entrega de uma determinada qualidade e quantidade de activo ( geralmente mat”ria prima ou mercadoria) para uma data futura tamb”m acordada. O pre”o pode ser fixado antecipadamente ou na data de entrega. S”o instrumentos derivados semelhantes aos futuros, contudo feitos ” medida do cliente, n”o sendo contractos standardizados. Estes contractos s”o negociados em mercado de balc”o ( OTC).
Swaps
S”o transac”es em que duas partes trocam fluxos de pagamentos no futuro, cumprindo um plano previamente acordado. Estas transac”es s”o utilizadas para converter uma exposi”o no mercado relativa a determinado activo ou passivo ( empr”stimo, taxas de c”mbio, taxa de juro, etc’) noutra exposi”o diferente.